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Hospital de Dia é um apoio essencial a várias especialidades

Tratamento a doente com linfoma esteve na génese da unidade multidisciplinar, coordenada pela médica Fátima Guedes

Não é possível falar do Hospital de Dia do HDFF e não destacar a médica Fátima Guedes. Está no hospital há 42 anos e, há cerca de 30, esteve na génese daquele que viria a ser o Hospital de Dia, com o início do tratamento a um doente com linfoma.
A área oncológica está, de resto, na base desta unidade funcional que efetua também tratamentos de outras especialidades, como a gastroenterologia, neurologia ou medicina interna. “Somos um hospital de dia multidisciplinar”, sintetiza Fátima Guedes.
Em 2004, com o aumento dos tratamentos na área oncológica, foi criado o espaço onde ainda hoje funciona o Hospital de Dia, com as sessões de quimioterapia a serem feitas no mesmo local. Nessa altura, juntou-se igualmente a patologia ginecológica, da responsabilidade da médica Helena Serra, já reformada. Fátima Guedes não esquece, igualmente, o “papel importante” de outra médica na Unidade de Oncologia, também ela já reformada: Amélia Pereira.
Sobre as atuais condições físicas do Hospital de Dia, estão disponíveis nove cadeirões para quimioterapia e um quarto com 3 camas para tratamento de doentes mais debilitados ou para exames mais invasivos – como biópsias hepáticas.
Fátima Guedes é a única médica a tempo inteiro no serviço, contando com a ajuda das médicas Isabel Pazos (patologia oncológica da Mama), Diana Mota (Hemato Oncologia) e Lilian Campos (patologia urológica). Uma outra Internista, Marta Brás, ocupa parte do seu horário no Hospital de Dia, enquanto Sónia Campelo realiza uma consulta de Oncologia. A estas clínicas juntam-se 6 enfermeiras.
Apesar da formação como internista, tem já uma longa experiência na oncologia, o que lhe permite afirmar que o ideal seria existir um hospital de dia apenas dedicado à área oncológica. Mas, reconhece, “é um plano difícil de aplicar porque não há oncologistas”. “Abrimos uma vaga que ficou deserta”, adianta. Porquê? “Os IPO absorvem logo os profissionais na formação. É difícil vir alguém desta área vir para um hospital periférico”, lamenta.
Fátima Guedes não esquece a equipa que a acompanha, “de uma dedicação extrema e de uma exigência científica e pessoal enorme”. Só assim se explicam as 4.578 sessões de tratamento efetuadas pelo Hospital de Dia em 2020.
Ao longo destes anos, a médica constata um aumento de neoplasias em faixas etárias mais jovens. “Acompanhamos pessoas de 40 e 50 anos com doenças graves do aparelho digestivo, o que se deve em parte aos estilos de vida e aos vícios de tabaco e alimentares”, destaca.
Tal como outros serviços, também a Unidade Funcional de Hospital de Dia sentiu o impacto da pandemia. “Fui uma das médicas que testou positivo [à Covid-19] logo em março de 2020”, recorda a médica, que foi para casa em teletrabalho.
“Tivemos que nos reestruturar, mas o Hospital de Dia nunca parou. Continuámos com as sessões de quimioterapia, com as consultas, mas tivemos que enviar os nossos doentes para tratamentos no IPO de Coimbra, porque ficámos sem as nossas instalações, que foram ocupadas pela enfermaria Covid”, explica.
Na primeira vaga da pandemia, os doentes eram levados de autocarro para Coimbra, acompanhados de duas enfermeiras.
Na segunda vaga, muito mais grave, já não foi possível destacar as enfermeiras, sendo o IPO a fazer os tratamentos. Nessa altura, os doentes já iam em ambulâncias.
“O esforço foi brutal, mas nunca deixámos de prestar cuidados”, conclui.

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