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O jovem médico que passa o tempo livre... no Hospital

A completar formação especializada em Ortopedia, Fábio Fernandes dedica-se também à urgência Covid-19. Como o próprio diz, “o saber não ocupa lugar”

Hóbi: atividade de entretenimento livre que o indivíduo desenvolve sozinho ou coletivamente. É esta a definição que vem nos dicionários, mas para o médico Fábio Fernandes significa também atividade que se desenvolve… durante a atividade profissional.
Passemos a explicar. Aos 27 anos, este jovem médico interno nascido em Viseu e que está a fazer a especialidade na área da Ortopedia, ocupa a maior parte do tempo livre da sua formação especializada… noutra área do Hospital – a urgência Covid-19.
“Logo no início da pandemia, os internos foram escalados para a urgência Covid-19, pois as especialidades cirúrgicas estavam paradas. Gostei tanto que a partir do momento que deixou de ser obrigatório lá permanecer, fui ganhando gosto e continuei. O saber não ocupa lugar, é uma mais-valia para mim e estou a aprender cada vez mais, acompanhando os pneumologistas e internistas”, explica, confessando que ainda hoje faz “muitas urgências” na área Covid-19, pois como interno, não faz noites na sua especialidade.
A culpa deste gosto pela Medicina tem um rosto: a mãe, enfermeira de profissão. “Desde pequeno que ia com ela para as clínicas, pois não tinha onde ficar. Nos convívios que ela fazia com os colegas, acompanhava-a sempre. Andei sempre nestes ambientes”, recorda.
A área da saúde surgiu, pois, com naturalidade, durante o seu percurso académico.
“Ao longo da minha formação, visitei alguns hospitais, clínicas e apareceu o gosto pela Medicina. Quando completei o ensino secundário, ponderei seguir a componente militar na área da Medicina, mas as expectativas da Academia Militar não foram correspondidas. Só que o gosto pela Medicina manteve-se e acabei por fazer o curso na Universidade de Coimbra”, adianta.
A opção de rumar ao HDFF, há 3 anos, foi ponderada: “era já um hospital de referência, perto de Coimbra, e onde se dá muitas oportunidades aos internos”. O mesmo é dizer, “teria mais oportunidades de, como dizemos, meter a mão na massa”. E, diz com um sorriso, “estou a adorar cá estar”.
Para o fim deixamos outro hóbi, que já ocupou boa parte do tempo de Fábio Fernandes, mas que por agora está um pouco adormecido, por força dos compromissos profissionais – o atletismo.
“Pratico desde a escola primária e foi sempre um escape ao estudo”, sublinha. Durante o secundário e na universidade, fez várias provas – no currículo conta com 8 maratonas e algumas ultramaratonas -, “mas o sonho de fazer uma prova de 100 quilómetros está um pouco interrompido”. “Talvez quando for médico especialista consiga. Agora não dá, até porque treino uma vez a cada 15 dias”, conclui.

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